Já faz algum tempo que eu não posto aqui no Quintal, mas é por uma boa causa. Literalmente. É que no fim do ano eu me mudei para Brasília e comecei a trabalhar em uma organização voltada para a redução das desigualdades e erradicação da pobreza. Vim para o Planalto Central andar de camelo e colaborar na mobilização digital de uma campanha de segurança alimentar. Leia o resto deste post »

Um rio de pobreza
dezembro 14, 2011por Caroline Derschner
Me assusta o fato de que nossas sociedades não sabem lidar com a riqueza. Perpetuam e replicam a pobreza quase que inconscientemente. Rejeitam a prosperidade com ilusões de uma outra riqueza, a material, que é só meia riqueza, frágil e falsa quando sozinha. E como se não bastasse, edificam e constroem sobre ela. Nossos estranhos valores sobre a concepção de riqueza se desenham no próprio planejamento e ambientação das cidades, e em como elas se apresentam a nós. Um exemplo disso são os rios.
Qualquer cultura humana sabe (ou sabia) que a água é sua fonte de riqueza primordial, de onde vêm todas as outras. As sociedades e as cidades foram cunhadas no entorno de fontes de água. A qualquer época e em qualquer tempo, um grupo que sai em expedição para fixar moradia sabe, e sempre soube, que é próximo ao rio e à água que deve se instalar. Leia o resto deste post »

Pra que serve a polícia ou pelo direito de se manifestar
novembro 29, 2011Você deve conhecer o famoso lema da polícia gringa: proteger e servir. Proteger a população. Servir a população. Mas aqui no Brasil, não existe essa noção. Não existe esse lema. O que existe é uma polícia que vem (ao menos em Sampa), sistematicamente, coibindo o direito de manifestação da população. Protegendo e servindo única e exclusivamente a elite medinho dessa cidade, aquela mesmo da Regina Duarte na eleição do Lula. A das incoerências da Soninha durante a campanha do Serra.
Temos uma PM que dispõe de 400 servidores públicos para bater e prender pouco mais de 70 estudantes na USP. Uma polícia que vai para a rua confrontar outros estudantes, que só reivindicavam o direito de acesso à cidade, quando o prefeito permitiu que a tarifa de ônibus chegasse a astronômicos 3 reais – enquanto colocava bilhões para alargar a Marginal Tietê, sem nenhum quilômetro de corredor de ônibus. Enquanto injetava centenas de milhões para uma ponte que virou símbolo de São Paulo: a Estaiada. Símbolo não porque aparece nos cartões postais, mas porque reforça a segregação que existe aqui: ela serve apenas ao rei automóvel, sem acesso para pedestres, que andam quilômetros a mais para atravessar de um lado a outro da Marginal, ou para ônibus, que devem continuar usando outras pontes. Ciclistas, nem precisa comentar. São milhões também para recapear vias nas imediações do Ibirapuera para um carro passar, no caso um F1. Leia o resto deste post »

A economia do botijão de gás
novembro 8, 2011Caroline Derschner é formada em comunicação pela PUC e fez o curso de Ativismo e Mobilização para Sustentabilidade comigo. Quando voltamos da imersão, propus que ela colaborasse de vez em quando com o Quintal. Ela topou e escreveu o post abaixo, que é, a meu ver, uma reflexão interessante sobre nossos preconceitos a respeito de quem vive abaixo da linha da miséria. Acho que, além do que ela disse, vale lembrar que existe uma grande diferença entre trabalho e emprego, mas esse fica pra um próximo post. Acessem também os blogs dela: Um par de óculos e O beabá da mulher maravilha.
Já era de noite e eu estava na rua quando ela me parou. Tinha pouco mais que a minha idade, talvez uns três ou quatro anos a mais. Usava roupas em bom estado e tinha uma criança ao colo. Era bonita. Estivera andando o dia todo. E eu, naquele dia de sol forte, das poucas caminhadas que tinha dado, já sentia a cabeça doer. A moça me contou que estava procurando emprego de faxineira já fazia dias, e que estava morando na capital porque havia fugido do marido com suas crianças. Pude perceber a vergonha em seus olhos. Ela se desculpou por incomodar, mas disse que precisava urgentemente de um trabalho, qualquer que fosse, para comprar um botijão de gás e alimentar seus filhos no acampamento sem terra em que morava. Leia o resto deste post »

Não vivemos em Copenhague
outubro 26, 2011
Num mundo ideal, o Bike Anjo não é necessário. Num mundo ideal, as ruas seriam seguras e completas: todos poderiam ir e vir sem se preocupar com os outros. Rotas de bicicleta seriam demarcadas no asfalto e nas placas. Calçadas seriam agradáveis aos pedestres e o transporte público seria eficiente, limpo e confiável.
O mundo ideal não é real. Ao menos ainda. Aliás, é tudo verdade quando dizem: não vivemos em Copenhague. Mas no passado, nem Copenhague era Copenhague. Foram necessários 30 anos de investimento na bicicleta, e políticas públicas focadas na mobilidade e que restringem o uso do automóvel para que a cidade das bicicletas se tornasse o que é.
Não somos Copenhague, mas somos muito parecidos com Bogotá. Leia o resto deste post »

Enquanto o Brasil for desigual, seremos campeões em reciclagem
agosto 24, 2011Você já deve ter visto a campanha da Coca-Cola, que fala de otimismo e como, para cada pessimista, existem 84,5 pessoas de bem. É uma campanha gracinha, como diria a Hebe. O slogan, com o qual eu concordo – “Existem razões para acreditar. Os bons são maioria” – é toda a razão pela qual este blog existe. Mas uma frase captou minha atenção: enquanto a natureza ainda sofre, 98% das latas de alumínio são recicladas no Brasil.
A frase é verdadeira, não há como negar. Ano após ano, o Brasil é campeão de reciclagem de alumínio, superando países como o Japão. E o Brasil consegue esse feito, vejam só, sem políticas públicas fortes de reciclagem e logística reversa. Como é possível?
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Bicicletários e centros culturais
agosto 22, 2011Há uma semana, a Aline Cavalcante (também conhecida como @pedaline) deu um passeio pela Paulista na companhia do João Lacerda e este que vos fala. A ideia era visitar os Centros Culturais da Avenida e descobrir se eles estão preparados para receber usuários que usem a bicicleta como meio de transporte. O resultado é o vídeo acima . Confiram, espalhem, cobrem os responsáveis. E, claro, parabéns para o Parque Mario Covas, que levou a nota máxima no quesito Bicicletário.
Bonus: Leia o resto deste post »

Pôneis malditos = trânsito bendito
agosto 3, 2011Se você não passou a última semana debaixo de uma pedra. Se você acessou o Facebook, Twitter ou qualquer rede social. Se você viu o Youtube, ou conversou com alguém em um bar ou restaurante, ouviu a música: Pôneis malditos, pôneis malditos, lalalalalala”. A campanha espalhou-se pela internet quase tão rápido quanto aquela Oração, de uma certa banda autointitulada La más guapa. Ouvi os mais diferentes comentários, desde gente gostando dos tais pôneis, até aqueles que gostariam de ter criado a campanha.
E admito, é muito bem sacada. Mas, o assunto aqui é outro.

Pelo direito de escolher
junho 29, 2011
Fight the power!
Depois do não-acidente, em que um ônibus atropelou o ciclista Antonio Bertolucci, o assunto bicicleta no trânsito ganhou um novo fôlego em São Paulo. Isso significou desde matérias muito boas sobre o assunto até aquelas que não valem nem o clique (até o Fantástico deu uma dentro, quem diria!). Para comentar sobre o assunto, Thiago Benicchio, diretor da Ciclocidade, participou do Jornal da Cultura do dia 17/6. Lá, o cientista político Carlos Novaes, disse que pedalar na rua é um “direito estúpido de ser exercido”. A frase reverberou e eu fiquei pensando: afinal, existem direitos estúpidos de se exercer? Leia o resto deste post »

E você, sabe a diferença entre 15 centímetros e 1,5 metro?
junho 17, 2011Existem duas falácias que costumo ouvir sobre o artigo 201 do Código de Trânsito e a aplicação de multas. O Artigo 201 diz que, ao ultrapassar uma bicicleta, o motorista deve reduzir a velocidade e manter distância mínima de 1,5 metro do ciclista. O desrespeito a essa lei pode, facilmente, levar à morte do ciclista. Se você acompanha minimamente o assunto, já deve ter ouvido, ao menos, uma delas. Resolvi escrever esse post pois encontrei AMBAS em um mesmo artigo do UOL Notícias. Primeiro, um pouco de contexto.

Sobre porque o Carnaval é fundamental
junho 9, 2011Quem me conhece sabe: o Carnaval é meu Natal. Lembra quando você era criança e o Natal era das coisas mais incríveis que podiam acontecer? Quando eu era pequeno, era assim: a família toda se reunia, todos se divertiam juntos, trocavam presentes, curtiam esse momento. Conforme eu fui crescendo, isso foi mudando. E o Carnaval foi tomando esse espaço na minha vida. Aí você pensa que o Carnaval é a festa da carne e decide: é isso que ele quer dizer.
Mas não é.

Chega de violência
maio 23, 2011Estou com nojo. As cenas da violência policial deste fim de semana passaram dos limites do aceitável. Estive no Churrascão da Gente Diferenciada e, por algum acaso do destino, não fomos reprimidos da mesma forma. Ao analisar os últimos eventos vejo que a PM paulista teima em tomar a cidade para si. Mas a cidade é nossa, é de todos nós. Neste sábado, vamos retomar uma vez mais o espaço urbano e exigir nosso direito de nos expressar livremente, sem repressão e violência policial. Leia o resto deste post »

O que o direito quer, o esquerdo justifica
fevereiro 23, 2011Uma coisa que aprendi foi que a gente justifica tudo. Nosso cérebro é uma grande máquina racionalizadora, que consegue sempre arranjar motivos pra gente fazer aquilo que quer. O que o lado direito quer, o esquerdo justifica. Isso não é ruim. Se você magoa quem ama, se faz uma bobagem grande (ou até pequena), é por conta dessa capacidade que você consegue se perdoar e perdoar o próximo.
Mas aí também mora o perigo. Leia o resto deste post »

Sobre abraços e sorrisos
fevereiro 2, 2011Já abraçou alguém hoje? E na última semana? Talvez o último mês? Seja sincero: não estou falando de abraços sociais, aquele com dois tapinhas nas costas e um (dois ou três, dependendo do seu estado) beijo de bochecha. Falo de abraços fortes e sinceros.
Aliás, já que eu levantei a bola, diz aí: você lembra dos melhores beijos que você já deu? Não perguntei com quem foi o beijo, mas o beijo em si, a sensação exata. Agora volte no tempo e relembre os abraços realmente verdadeiros que já recebeu. Lembra? Em quem você gostaria de dar um abraço hoje? Pense: um abraço verdadeiro. Eu me lembro com perfeição de alguns desses grandes abraços. Leia o resto deste post »

Faça o que eu faço
janeiro 27, 2011Quando eu era criança, meu pai costumava dar bronca porque a gente mudava de canal muito rápido (a TV é parecida com essa ao lado. I’m that old). Um dia, eu o vi fazendo exatamente o mesmo. Imediatamente, acusei: mas você tá fazendo. Ele respondeu: Faça o que eu falo, não faça o que eu faço.
O tempo passou e a frase ficou, colada no meu cérebro. Leia o resto deste post »

Mercadão ganha bicicletário
janeiro 21, 2011
Por Amanda Mente / Jornal da Crítica
O Mercado Público de São Paulo irá ofertar nos próximo mês 20 vagas para bicicletas nos quatro bicicletários que serão implantados em local seguro e protegido da chuva. “Os equipamentos serão instalados com o objetivo de proporcionar segurança aos clientes que chegam ao Mercado com um veículo sustentável. Desta forma acreditamos que estaremos diminuindo o número de carros na zona azul”, salientou o prefeito Gilberto Kassab.

Superinteressante Especial Tendências
dezembro 8, 2010
Em outubro de 2009, colaborei com um especial da Superinteressante, escrevendo sobre tendências urbanas nas supercidades. Como já passou um bom tempo – e não creio que a maioria tenha tido a oportunidade de ler – resolvi compilar aqui minha contribuição. Se você quiser o especial completo, pode encontrá-lo neste link.
Confira o especial as tendências para as supercidades clicando neste link.
















