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O Mapa da Vergonha

dezembro 4, 2007

BikeSegundo dados da Prefeitura de São Paulo (maio/06) são 250 mil ciclistas que rodam diariamente pela capital*. E, no total, são menos de 30 Km de ciclovias na cidade. Por isso, vamos fazer uma pequena conta. Se considerarmos que cada bicicleta tem cerca de 1,70 metro de comprimento, e enfileirarmos todas as bicicletas que rodam pela cidade durante o dia, teríamos um total de 425 quilômetros de bicicletas rodando. Ou seja, se todas os ciclistas saíssem para a rua ao mesmo tempo e só andassem nas áreas reservadas para eles, teríamos um déficit de 395 quilômetros de ciclovias na cidade. Mas o problema não é só quantidade.

Onde há ciclovias, também existem postes, camelôs, pontos de ônibus e fins abruptos. A ciclovia da Av. Faria Lima que continua pela Pedroso de Moraes é um exemplo. Você roda dois quarteirões na Pedroso e dá de cara com um balão, sendo obrigado a voltar de onde veio. Imagina se você tiver que ir mais pra frente! Detalhe: canteiro central não falta para a ciclovia continuar.

Por essas e por outras, a cada 4 dias morre um ciclista em São Paulo. Um motoboy por dia e 1 ciclista a cada 4. Se o índice para os motoboys, notoriamente carniceiros no trânsito, já é alto, para ciclistas, que rodam mais devagar e ficam longe das marginais, o número choca. Em 2006, foram 84 mortes. No primeiro semestre deste ano, 47.

Mapa

O incrível é que a própria prefeitura diz possuir a capacidade de instalar imediatamente 104 km de ciclovias na capital, o que daria um fôlego, se não resolve o problema. O prefeito da cidade já sancionou a lei que cria o Sistema Cicloviário. Na teoria é tudo muito bom. Afinal, investimento em transporte público e eficiente (e a bicicleta é o mais eficiente) é mais barato do que abrir ruas para carros, causa menos trânsito, poluição e é tendência mundial. Vide Paris com suas bicicletas alugadas.

Uma das ações, que eu considero risível, foi a permissão para andar com a bicicleta no metrô e nos trens da cidade e região metropolitana. Parece uma ótima idéia, até que você verifica os horários: sábado das 15h às 20h e domingos e feriados das 7h às 20h. Ou seja, é uma ação voltada ao lazer e não à rotina casa-trabalho-casa, o que poderia aumentar a qualidade de vida das pessoas que usam transporte público. Além da impossibilidade de embarcar com sua bike durante a semana, também não há bicicletários para pará-la com segurança (exceto na estação Guilhermina-Esperança, linha 3 – Vermelha). Resultado: é bem possível que você não encontre sua magrela na volta do trabalho.
Os protestos já começaram. O pessoal da Bicicletada, responsável por esse grafite aí em cima que eu fotografei na Av. Paulista, colocou uma bicicleta velha, toda amassada num cruzamento da Av. Berrini, lugar de grande movimento de carros, ônibus e motos, onde uma pessoa morreu em agosto de 2006. A idéia é conscientizar tanto motoristas quanto autoridades e tentar criar massa crítica para a mudança. Também foram eles que fizeram este mapa, com a localização de todos os acidentes que aconteceram em São Paulo, feito com base nos dados da CET.

GhostBikeO fato é que a coisa tá feia, mas ainda assim, é melhor pegar a bike e sair na rua do que andar de carro. Estatísticas (em inglês) dizem que, por quilômetro, pedalar é 12 vezes mais arriscado do que dirigir um carro (o mesmo estudo diz que caminhar é 23 vezes mais perigoso do que dirigir). A questão é que esse risco é por quilômetro e, vamos combinar, pouca gente pedala mais do que alguns quilômetros por dia, enquanto muita gente dirige algumas dezenas. A reportagem do Freakonomics que apresenta o estudo coloca em perspectiva, dizendo que em 2005 foram 785 ciclistas mortos, contra 4.881 pedestres e 43.443 motoristas.

Por outro lado, outro estudo, este dinamarquês, descobriu que não pedalar até o trabalho representa um risco 39% maior do que pedalar. Então, se você conseguir não ser atropelado por um carro ou ônibus, as chances de você ter uma vida mais longa, saudável e muito menos estressada do que os seus companheiros automotores é muito grande.

Saiba mais: Rodas da Paz :: Bicicleta Fantasma :: Warmshowers (em inglês) :: Freakonomics (em inglês)

*Acho o número muito alto e, provavelmente, estamos falando de todas as bicicletas da cidade, não das que saem todo dia da garagem. Mas, já que o número é da prefeitura da cidade, resolvi manter.

Print Screen da bike fantasma feito a partir da foto de Daniel Santini/G1.

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4 comentários

  1. Fala Vitor, gostei muito do post. Sou Cicloativista e participo da Bicicletada SP que ocorre mensalmente em SP. Parece que em São Paulo não existe muito interesse em favorecer a bicicleta como meio de transporte, mas nosso grupo continua firme na divulgação prática de como a bike pode sim ser uma excelente forma de locomoção na cidade que falta pouco para parar por causa dos automóveis.


  2. [...] 12, 2007 por Vitor Leal Pinheiro Semana passada fiz um post sobre bicicletas e a falta de ciclovia em São Paulo. Nele, comentei que os poucos quilômetros [...]


  3. [...] deixe de ler o post sobre os riscos e vantagens (para a saúde) em se andar de bicicleta e confira também nossos outros [...]


  4. [...] – parte 2 » Ciclovia ou estacionamento? Dezembro 12, 2007 Semana passada fiz um post sobre bicicletas e a falta de ciclovia em São Paulo. Nele, comentei que os poucos quilômetros [...]



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