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Para que serve uma cidade?

setembro 16, 2009

Rua Galvão Bueno repleta de carros. Foto Tony Gálvez via Flickr

Rua Galvão Bueno repleta de carros. Foto Tony Gálvez via Flickr

Uma das dificuldades em pedalar pela cidade é que a bicicleta é vista, pela maioria, como instrumento de lazer. Então, se você está pedalando no trânsito, está passeando. E em uma cidade utilitarista como Sampa, isso é inadmissível, já que você estará atrapalhando a mobilidade de outras pessoas. Superficialmente eu poderia responder que também estou indo trabalhar e a discussão se encerraria aí. Por outro lado, se eu quiser ir realmente ao cerne da questão direi: se eu estiver passeando, o que torna o seu deslocamento mais importante que o meu? Para que servem as cidades? Para que os trabalhadores se movam ou para que as pessoas vivam?

Rua Galvão Bueno fechada aos carros, repleta de pessoas foto de Shadow11 via Twitpic

Rua Galvão Bueno fechada aos carros, repleta de pessoas foto de Shadow11 via Twitpic

Historicamente, as cidades sempre foram pontos de encontro, troca e convivência. Foi só no século XX, com o advento do automóvel, que as cidades passaram a se tornar muito grandes (já que era possível se deslocar de um ponto a outro mais facilmente) e foi preciso rasgá-la com avenidas largas. O que começou bom, a mobilidade, tornou-se ruim: a cidade virou um amontoado de corredores de passagem.

Mas cidades humanas são lugares em que as pessoas tem prazer de andar pelas ruas, em que não é preciso tirar o carro da garagem para comprar pão de manhã. Talvez, e provavelmente, cidades em que levar seu filho para a escola de bicicleta é parte da rotina diária, como no vídeo abaixo.

Quando em SP, as pessoas querem chegar logo ao seu destino. Quando em Buenos Aires, Paris, Londres, Rio de Janeiro, ficam maravilhadas com as pessoas lendo em parques, caminhando e vendo as lojas. Todas voltam dizendo como gostariam de viver em uma cidade assim. Mas basta ir para trás de um volante (ou até caminhando) e se tornam seres em trânsito. Todo o resto são obstáculos.

Cidades que respeitam a diversidade de visões sobre como deve ser uma cidade são lugares melhores para se viver. Boas cidades aceitam opiniões diferentes e incluem a todos: o que está passeando, o que trabalha, o que estuda e o que descansa. Mas todos precisamos refletir sobre o que queremos e o que podemos fazer para viver melhor em sociedade. E você? Como quer viver sua cidade?

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Aproveito o ensejo para lançar um novo projeto, o blog Adoro a Cidade. Lá, pessoas comuns mostram seus olhares sobre uma São Paulo diferente e possível. Confira o post inaugural, do Willian Cruz.

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13 comentários

  1. Oláaaaaaaaaaaaaa!

    Nossa, eu vouu para o trabalho de bike e adoro, claro, não é muito longe de minha casa e super acessível.. adoooro rs gostei da sua matéria, bom seria se mais pessoas tivessem conciência disto, adorei o vídeo também =] super lindinho rs

    Olha, quanto ao seu comentário, sobre a propaganda das sacolinhas,pois é, eu to sabendo disto… que o financiador é uma empresa de plástico… bom, a ideia foi boa de reforçarem as sacolas, bom… eu penso nas pessoas que não tem este tipo de educação que tivemos ou mesmo ações de educação ambiental para entender o ato de recusar as sacolas, oque acho maravilhoso e uso disto e também promovo esta ação em meu blog… então se ajudarmos a estas pessoas que usam mais de uma sacola para um produto mais pesadinho, já vai ser de grande valia para o meio. Bom, eu penso assim e digo mais, concordo com suas ideias em meu blog…

    Abraços e parabéns pelo seu blog tb

    Bjão


  2. [...] Saiu em alguns jornais: é proibido deitar em bancos em 9 parques de São Paulo. Também é proibido andar de bicicleta, skate, patins. Também não valem “trajes ou atitudes atentatórias à moral e aos bons costumes”. Essa é a São Paulo que vivemos. Essa é a Sampa que não é uma cidade. Ou talvez seja, afinal pra que serve uma cidade? [...]


  3. [...] Eu já pedalei com e sem capacete. E posso dizer que isso não é verdade. Desde que comecei a pedalar sem capacete, as pessoas começaram a me respeitar mais. No mínimo, o respeito é o mesmo. Geralmente quem diz isso nunca saiu sem capacete na rua para testar o outro lado. O que posso dizer é que sou mais respeitado quando estou cycle chic do que quando estou com roupas de lazer. Me parece ser  aquele lance de que “quem está indo trabalhar tem mais direito à rua”. [...]


  4. [...] outras soluções, como usar ônibus, metrô, caminhar, táxi. Reinvindicar melhorias para todos. Respeitar pedestres e ciclistas no trânsito. Ao menos dirigir um carro menor, menos poluente e evitar usá-lo [...]


  5. amei essa definicao

    “Mas basta ir para trás de um volante (ou até caminhando) e se tornam seres em trânsito. Todo o resto são obstáculos.”

    É uma definicao muito boa sobre a relacao das pessoas com as cidades.

    Otimo blog por sinal! vou ler inteiro! :)

    bjos


  6. [...] Que mais que dividir a rua, que elas têm que dividir o espaço público comigo, e que as atitudes delas, tem conseqüências diretas e indiretas sobre mim. Por mais que algumas pessoas escolham viver em suas bolhas, condomínio fechado-carro-shopping, elas têm que entender que, por mais que elas não queiram, elas fazem parte do ecossistema da cidade. (Leia o post do Nosso Quintal – “pra que serve uma cidade”) [...]


  7. [...] anticidade, não há espaço para pessoas. Só há espaço para o trânsito. Quando o Alexandre de Moraes instituiu a restrição a caminhões, os milhões de motoristas da [...]


  8. [...] do que filosófica, metafísica, uma provocação mais incisiva da sempre presente pergunta “Pra que serve uma cidade“: afinal, pra que serve tudo isso? A vida, [...]


  9. [...] Pra que serve a uma cidade? [...]


  10. [...] Para que serve uma cidade [...]


  11. [...] Para que serve uma cidade [...]


  12. [...] Para que serve uma cidade [...]


  13. […] dá pra saber. Da minha perspectiva, é muito interessante a ideia de que as pessoas começam a descobrir as ruas, seja para fazer política, seja para […]



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