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Pôneis malditos = trânsito bendito

agosto 3, 2011

Pôneis benditos

Pôneis benditos, foto de bortescristian

Se você não passou a última semana debaixo de uma pedra. Se você acessou o Facebook, Twitter ou qualquer rede social. Se você viu o Youtube, ou conversou com alguém em um bar ou restaurante, ouviu a música: Pôneis malditos, pôneis malditos, lalalalalala”. A campanha espalhou-se pela internet quase tão rápido quanto aquela Oração, de uma certa banda autointitulada La más guapa. Ouvi os mais diferentes comentários, desde gente gostando dos tais pôneis, até aqueles que gostariam de ter criado a campanha.

E admito, é muito bem sacada. Mas, o assunto aqui é outro.

Dados alguns acontecimentos recentes, me pergunto se enaltecer os 172 cv de um veículo utilitário, que nunca verão mais do que uma estradinha vicinal de terra batida, é algo louvável. Afinal, para que tantos cavalos de raça para acelerar entre um farol e outro? Se você não passou a última semana debaixo de uma pedra. Se você acessou as mídias sociais ou leu o jornal, deve ter visto o caso de uma garota de 28 anos, dirigindo um Land Rover (que deve ter puros sangues sob o capô) a uma velocidade incompatível com a cidade, alcoolizada, acertar um muro, capotar o carro, sair ilesa, mas atropelar um inocente, que voltava a pé para casa justamente por não beber e dirigir. Antes disso, vimos outro caso parecido, de um Porsche, a 150 Km/h, acertar um Tucson e matar uma pessoa. O motorista, também nesse caso, estava embriagado.

A questão aqui é: as pessoas estão dirigindo carros cada vezes maiores, cada vez mais potentes. Apesar disso, a imprudência reina. E eu não me eximo de culpa: sei como é estar do outro lado, entendo o apelo da velocidade.  O problema é que temos uma tendência a esquecer que o carro, no fundo, é uma arma, que ele mata. (E, por sinal, se você quer matar alguém e sair impune, basta atropelar)

Dirigir um veículo de 172 ou mais cavalos em uma cidade, ou mesmo em uma estrada é um grande absurdo, comparável a sair por aí carregando uma escopeta carregada. Você brincaria com uma arma de fogo depois de tomar uns bons drink? Ou sairia por aí, apontando na cara das pessoas, só porque você sente que tem direito a isso? Se todos tivessem pôneis embaixo do capô, talvez o trânsito fosse mais seguro para todos.

Ah, e talvez você também tenha visto, caso não more sob o já mencionado mineral, a notícia do prefeito europeu que radicalizou na luta contra estacionamentos irregulares e desrespeito no trânsito. Como disse o João Lacerda, enquanto na Lituânia eles passam com um tanque em cima de um carro estacionado, aqui, eles passam com um carro, que parece um tanque, por cima de pedestres indefesos. O.o

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8 comentários

  1. Numa cidade que se anda em média numa velocidade de 12km/h quem precisa de 172 cavalos? Os pôneis malditos dão conta fácil… ;)


  2. faltou falar do carro que atingiu o mendigo que mora na avenida faria lima e q só não o matou, pois o colchão salvou a sua vida


  3. Não soube desse caso, Daniel. Só que a verdade é que não faltam exemplos.


  4. Veja que o veiculo, foi feito para off-road.
    Quem mora na cidade, nao sabe o que é atolar o carro ¬¬


  5. E falta falar também sobre a estupidez de colocar esses carros para ‘atolar’ em estradinhas vicinais. Algo que serve pra exibir macheza de jovens ricos, mas que, do ponto de vista das pessoas que moram nesses lugares, e precisam das tais estradinhas em condições de uso, é francamente ridículo e até prejudicial.
    Quem mora na roça aprende a passar com cuidado pelo atoleiro para estragar menos a estrada que ele mesmo vai usar na próxima…
    Quem vai da cidade para a estradinha com esses carrões quer mais é mostrar o poder de seu carro para jogar lama com as quatro rodas e voltar com o carro todo sujo para a cidade se sentindo mais macho. Coisa estúpida.


  6. Eu acho a discussão válida, mas colocar nos carros, montadoras ou marketeiros a culpa dessas imprudências que causaram mortes é contraproducente, para não dizer ingênua. É o mesmo que chegar em casa e ver a sua mulher te traindo com o vizinho em cima do sofá e dar três tiros no sofá. A grande maioria dos carros mais potentes do mundo são feitos na Europa e não vemos com tanta frequência essas imbecilidades no trânsito de lá, e garanto que muitos dos seus leitores, e talvez até você mesmo já foram ou moraram na Europa e podem confirmar o que estou falando. Eu não tenho um carro potente, na verdade eu nem tenho carro, não sou rico e nem me considero abestalhado, mas ainda insisto em dizer que falta educação para as pessoas no trânsito, ou elas continuarão matando com uma Frontier ou Fiat Uno.


  7. Qualquer carro é uma arma se usado com imprudência…não importa se são 172 cavalos, ou 50…o perigo são as mulas no volante…
    Alguém aí sabe quantos cavalos tem uma moto CG125cc? E um golzinho 1.0? Porque tem um de cada destruídos aqui na esquina da minha casa agora mesmo…


  8. Eric, sou obrigado a discordar de você. Carros, montadoras e marketeiros, como você coloca, são parte de uma engrenagem que valoriza a velocidade e a potência em detrimento da segurança no trânsito. Essa campanha dos pôneis malditos é mais um exemplo disso. Os carros poderiam ser vendidos por muitos atributos, mas quase sempre voltamos à velocidade e potência.

    É claro que pode ser uma Frontier ou Fiat Uno a matar alguém. O ponto é que mesmo o motorista do Uno estará exposto à campanha da Frontier pela potência. Ambos estarão expostos à construção, pela propaganda, de um modelo de trânsito beligerante e competitivo, quando o trânsito deveria ser um espaço de cooperatividade e colaboração. É esse, principalmente meu ponto. Não estou falando apenas dos cavalos no motor, mas também da constante pregação de que velocidade e potência são fundamentais – muitas vezes relacionados até mesmo à segurança.



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