Você deve conhecer o famoso lema da polícia gringa: proteger e servir. Proteger a população. Servir a população. Mas aqui no Brasil, não existe essa noção. Não existe esse lema. O que existe é uma polícia que vem (ao menos em Sampa), sistematicamente, coibindo o direito de manifestação da população. Protegendo e servindo única e exclusivamente a elite medinho dessa cidade, aquela mesmo da Regina Duarte na eleição do Lula. A das incoerências da Soninha durante a campanha do Serra.
Temos uma PM que dispõe de 400 servidores públicos para bater e prender pouco mais de 70 estudantes na USP. Uma polícia que vai para a rua confrontar outros estudantes, que só reivindicavam o direito de acesso à cidade, quando o prefeito permitiu que a tarifa de ônibus chegasse a astronômicos 3 reais – enquanto colocava bilhões para alargar a Marginal Tietê, sem nenhum quilômetro de corredor de ônibus. Enquanto injetava centenas de milhões para uma ponte que virou símbolo de São Paulo: a Estaiada. Símbolo não porque aparece nos cartões postais, mas porque reforça a segregação que existe aqui: ela serve apenas ao rei automóvel, sem acesso para pedestres, que andam quilômetros a mais para atravessar de um lado a outro da Marginal, ou para ônibus, que devem continuar usando outras pontes. Ciclistas, nem precisa comentar. São milhões também para recapear vias nas imediações do Ibirapuera para um carro passar, no caso um F1. Read the rest of this entry ?
Troco trabalho por comida. Cortesia de Technosailor
Caroline Derschner é formada em comunicação pela PUC e fez o curso de Ativismo e Mobilização para Sustentabilidade comigo. Quando voltamos da imersão, propus que ela colaborasse de vez em quando com o Quintal. Ela topou e escreveu o post abaixo, que é, a meu ver, uma reflexão interessante sobre nossos preconceitos a respeito de quem vive abaixo da linha da miséria. Acho que, além do que ela disse, vale lembrar que existe uma grande diferença entre trabalho e emprego, mas esse fica pra um próximo post. Acessem também os blogs dela: Um par de óculos e O beabá da mulher maravilha.
Já era de noite e eu estava na rua quando ela me parou. Tinha pouco mais que a minha idade, talvez uns três ou quatro anos a mais. Usava roupas em bom estado e tinha uma criança ao colo. Era bonita. Estivera andando o dia todo. E eu, naquele dia de sol forte, das poucas caminhadas que tinha dado, já sentia a cabeça doer. A moça me contou que estava procurando emprego de faxineira já fazia dias, e que estava morando na capital porque havia fugido do marido com suas crianças. Pude perceber a vergonha em seus olhos. Ela se desculpou por incomodar, mas disse que precisava urgentemente de um trabalho, qualquer que fosse, para comprar um botijão de gás e alimentar seus filhos no acampamento sem terra em que morava. Read the rest of this entry ?
Num mundo ideal, o Bike Anjo não é necessário. Num mundo ideal, as ruas seriam seguras e completas: todos poderiam ir e vir sem se preocupar com os outros. Rotas de bicicleta seriam demarcadas no asfalto e nas placas. Calçadas seriam agradáveis aos pedestres e o transporte público seria eficiente, limpo e confiável.
O mundo ideal não é real. Ao menos ainda. Aliás, é tudo verdade quando dizem: não vivemos em Copenhague. Mas no passado, nem Copenhague era Copenhague. Foram necessários 30 anos de investimento na bicicleta, e políticas públicas focadas na mobilidade e que restringem o uso do automóvel para que a cidade das bicicletas se tornasse o que é.
Você já deve ter visto a campanha da Coca-Cola, que fala de otimismo e como, para cada pessimista, existem 84,5 pessoas de bem. É uma campanha gracinha, como diria a Hebe. O slogan, com o qual eu concordo – “Existem razões para acreditar. Os bons são maioria” – é toda a razão pela qual este blog existe. Mas uma frase captou minha atenção: enquanto a natureza ainda sofre, 98% das latas de alumínio são recicladas no Brasil.
A frase é verdadeira, não há como negar. Ano após ano, o Brasil é campeão de reciclagem de alumínio, superando países como o Japão. E o Brasil consegue esse feito, vejam só, sem políticas públicas fortes de reciclagem e logística reversa. Como é possível? Read the rest of this entry ?
Depois do não-acidente, em que um ônibus atropelou o ciclista Antonio Bertolucci, o assunto bicicleta no trânsito ganhou um novo fôlego em São Paulo. Isso significou desde matérias muito boassobre o assunto até aquelas que não valem nem o clique (até o Fantástico deu uma dentro, quem diria!). Para comentar sobre o assunto, Thiago Benicchio, diretor da Ciclocidade, participou do Jornal da Cultura do dia 17/6. Lá, o cientista político Carlos Novaes, disse que pedalar na rua é um “direito estúpido de ser exercido”. A frase reverberou e eu fiquei pensando: afinal, existem direitos estúpidos de se exercer?Read the rest of this entry ?
Existem duas falácias que costumo ouvir sobre o artigo 201 do Código de Trânsito e a aplicação de multas. O Artigo 201 diz que, ao ultrapassar uma bicicleta, o motorista deve reduzir a velocidade e manter distância mínima de 1,5 metro do ciclista. O desrespeito a essa lei pode, facilmente, levar à morte do ciclista. Se você acompanha minimamente o assunto, já deve ter ouvido, ao menos, uma delas. Resolvi escrever esse post pois encontrei AMBAS em um mesmo artigo do UOL Notícias. Primeiro, um pouco de contexto.
Estou com nojo. As cenas da violência policial deste fim de semana passaram dos limites do aceitável. Estive no Churrascão da Gente Diferenciada e, por algum acaso do destino, não fomos reprimidos da mesma forma. Ao analisar os últimos eventos vejo que a PM paulista teima em tomar a cidade para si. Mas a cidade é nossa, é de todos nós. Neste sábado, vamos retomar uma vez mais o espaço urbano e exigir nosso direito de nos expressar livremente, sem repressão e violência policial. Read the rest of this entry ?
No meio da minha pesquisa, que deu origem ao TCC sobre mídias socias e políticas públicas, tropecei em uma regra não escrita da web que, sem perceber, sempre adotei: lurk before you post. Ou seja, ronde antes de postar. A ideia é simples: antes de entrar no jogo, é preciso entender as regras que o regem. E não estou falando de leis e afins. O lance são as regras não escritas de cada comunidade, fórum, ferramenta, sociedade. Read the rest of this entry ?
Já abraçou alguém hoje? E na última semana? Talvez o último mês? Seja sincero: não estou falando de abraços sociais, aquele com dois tapinhas nas costas e um (dois ou três, dependendo do seu estado) beijo de bochecha. Falo de abraços fortes e sinceros.
Aliás, já que eu levantei a bola, diz aí: você lembra dos melhores beijos que você já deu? Não perguntei com quem foi o beijo, mas o beijo em si, a sensação exata. Agora volte no tempo e relembre os abraços realmente verdadeiros que já recebeu. Lembra? Em quem você gostaria de dar um abraço hoje? Pense: um abraço verdadeiro. Eu me lembro com perfeição de alguns desses grandes abraços. Read the rest of this entry ?
A TV da discórdia, cortesia de theterrifictc via Flickr
Quando eu era criança, meu pai costumava dar bronca porque a gente mudava de canal muito rápido (a TV é parecida com essa ao lado. I’m that old). Um dia, eu o vi fazendo exatamente o mesmo. Imediatamente, acusei: mas você tá fazendo. Ele respondeu: Faça o que eu falo, não faça o que eu faço.
O Mercado Público de São Paulo irá ofertar nos próximo mês 20 vagas para bicicletas nos quatro bicicletários que serão implantados em local seguro e protegido da chuva. “Os equipamentos serão instalados com o objetivo de proporcionar segurança aos clientes que chegam ao Mercado com um veículo sustentável. Desta forma acreditamos que estaremos diminuindo o número de carros na zona azul”, salientou o prefeito Gilberto Kassab.
A ideia surgiu no Twitter de uma amiga, a @raquelmachado: criar o bolsa-sono. Por quê? Oras, com o advento (fala se usar a palavra advento não é muito massa?) das proibições de caminhões para não atrapalhar o trânsito na capital, a população passou a ter seu sono atrapalhado por mudanças, entregas e muito mais no período noturno. Read the rest of this entry ?
Água na jarra é melhor - Cortesia de Colores Mari, via Flickr
Eu tenho uma certa preguiça de dias de coisas. Não participo da Hora do Planeta. Tudo por uma razão bem simples: essas atitudes deveriam acontecer todos os dias. Não adianta você ficar uma hora por ano com a luz apagada. São hábitos que devem ser replicados sempre para terem um real efeito.
É claro que, por outro lado, eu entendo que são maneiras válidas para se chamar a atenção da população para esses problemas. Sou só eu que, pessoalmente, tenho preguiça.
Recentemente, entreguei meu TCC do MBA em Gestão de Sustentabilidade. Como todo trabalho de conclusão de curso, a gente fica meio maluco durante o processo e passa um tempo sem conseguir olhar praquele assunto. Mas o pior ficou pra trás e, hoje, acredito que já dá para conversar sobre isso novamente.
Na quinta-feira passada, participei junto com o Denis e outros mais, do programa Sala de Marina, que visa a discutir questões presentes nas diretrizes de governo da candidata Marina Silva. Apesar de estar dentro do site da campanha, o programa tem uma levada apartidária, de debate do tema e do seu papel no futuro do país. Por isso, ele não é particularmente panfletário ou militante, muito embora, no meu caso, eu apóie a candidatura dela (vale o disclaimer, caso não tenha ficado claro). Read the rest of this entry ?
O mês de setembro é repleto de eventos ligados à sustentabilidade. Além da semana da mobilidade, que culmina no Dia Mundial Sem Carro (no dia 22), temos uma programação especial capitaneada pela Matilha Cultural. Escrevo mais nos próximos dias, mas só queria deixar o recado aqui: hoje, lá na GV, vai rolar um debate sobre Clima e Consumo. É grátis, e vale a pena dar uma conferida.
Do mesmo pessoal que criou o História das Coisas, confira a História da Água Engarrafada. E sim, sei que estou ausente, mas em setembro as coisas melhoram – tem o Dia Mundial Sem Carro e outras novidades.
São muitas as histórias de fotos que mudaram o mundo. Dizem que o movimento ambientalista nasceu da primeira foto da Terra vista do espaço, quando as pessoas começaram a entender que estávamos em um planeta só, finito e comum.
Nem sempre é possível saber exatamente como essas imagens mudaram a história. Mas nós as temos coladas “nas paredes da memória”, retratos dos diversos zeitgeists do nosso mundo. Quem não se lembra de um avião entrando na segunda torre do World Trade Center? Ou da menina correndo, nua e queimada, fugindo do estrago de uma bomba de napalm, na Guerra do Vietnã, em 1972. Temos também aquela do chinês desafiando um canhão, no Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989 (Tiananmen). Só neste livro são 100 dessas fotos.
Mas uma foto muito recente teve papel muito parecido no movimento por cidades mais humanas – e mais cicláveis. Read the rest of this entry ?